
Tanto quanto nos podemos lembrar, nas nossas primeiras subidas ao Castelo a partir de Santa Maria, subíamos com a pequena excitação provocada pelo risco de nos perdermos. Se não estamos errados, havia apenas uma indicação importante, num lugar estratégico, junto da igreja românica arruinada, que até há pouco tempo indicava a quem vinha do lado da Pena os caminhos de Sintra e do Castelo.
Claro que o risco de perda não existe verdadeiramente, mas isso é algo que só se descobre mais tarde. É que nesta encosta da Serra não há muito que saber: para a Vila é sempre a descer, para o Castelo é sempre a subir, apenas com a possibilidade de umas variantes pelo meio, onde ninguém se consegue desviar muito.
Seja como for, esta possibilidade foi exaustivamente eliminada com a colocação de abundantes postes de madeira onde se assinalam todas as direcções e todas as distâncias, juntando-se a outras que já identificavam percursos pedonais, acompanhadas de riscos e cruzes amarelas e encarnadas e sobrepondo-se às escassas indicações mais antigas. São gestos desvelados que reduzem a angústia dos visitantes no momento das encruzilhadas e domesticam mais ainda esta encosta da Serra.
Há uns tempos, falava-se
no Dias com Árvores, a propósito da Floresta de Epping, da ânsia pelos percursos sinalizados, em contraste com uma deliberada ausência de sinalização intrusiva que se prefere noutras paragens. Pessoalmente, votamos numa domesticação mais discreta, que finja melhor a inexistente fraga selvagem sintrense. Parece-nos que a oportunidade de nos perdermos um pouco, correndo o risco de andar uns quatro passos a mais até percebermos que continuamos no caminho certo, enriquece os passeios em Sintra, e noutros lugares também.
A todas as placas de madeira cheias de setas, de nomes de lugares e de centenas de metros, estimamos que escureçam, que emboloreçam depressa e que a paisagem as engula.