terça-feira, 16 de novembro de 2010

Flagrante


Nesta encosta dentro de muros, neste trilho pisado e repisado por todos os visitantes do Castelo dos Mouros, está o lugar mais acessível para espiolhar sem vergonha os namoros da floresta de Sintra com o sol de Novembro. A chegada de gente rapidamente os espanta; por isso, quem procure deliciar-se com o flagrante deve chegar bem cedo e colocar-se em posição discreta.

domingo, 14 de novembro de 2010

À Espera




Numa manhã de sol de Novembro o incensal continuava à espera de ser comprado. Assim permaneça séculos e séculos.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

História Atrasada




No dia 15 de Outubro crescia esta espécie de grande monstro-flor cor-de-laranja nas profundezas infestadas da Tapada dos Bichos, num cepo de acácia, entre tufos insistentes de árvores-do-incenso. Estas criaturas, mesmo as mais vistosas e ameaçadoras, decaem ainda mais depressa do que nós. Se um mês mais tarde partirmos em busca deste cepo guarnecido vamos ter dificuldade em encontrá-lo, no meio de todos os cepos que ficaram do último desbaste de há um ano. Estas hastes carnudas devem ter-se tornado escuras e moles, até se terem derretido num cheiro desagradável, sobre os anéis concêntricos que nos contam a idade da acácia.

domingo, 19 de setembro de 2010

No Cravo e na Ferradura

Passo a passo, a Parques de Sintra vai tornando mais fácil o acesso automóvel aos seus parques e palácios. Aqueles que preferiam que este zelo se dirigisse a afastá-los progressivamente, substituídos por formas de acesso menos agressivas, vão ter de continuar à espera. Por outro lado, não se vê que a câmara municipal saia da sua letargia face à mobilidade crítica deste pedaço que alguém classificou como património mundial.

Ainda assim, mesmo os opositores deste “Visite a Pena e traga o seu carro” têm louvores a fazer. É o caso da solução para, ao mesmo tempo, impedir o estacionamento nos troços mais estreitos da calçada e separar o trânsito viário do pedonal. Havia várias hipóteses desastrosas à escolha, mas foi escolhida, talvez, uma das melhores que se podia ter encontrado: secções de troncos de árvores, encastradas a intervalos regulares no chão, cumprem a função sem ofender.


Infelizmente, não se pode dizer o mesmo dos painéis electrónicos que agora assustam os visitantes à entrada da Tapada do Inhaca ou no Portão dos Lagos. Uma espécie de plasmas publicitários irradiando luz televisiva dia e noite a pretexto de fornecer indicações sobre lugares disponíveis para estacionar, confundindo os ingénuos que aqui passam em busca de Sintra.


O cúmulo da incapacidade de gestão racional do espaço público atinge-se no cruzamento da Estrada dos Capuchos. Aqui, onde já gritavam por atenção dezanove placas desesperadas, junta-se agora este pedaço de lixo visual da nova geração. Será que alguém vai reparar, um dia, que vinte placas informativas umas sobre as outras não informam nada? E que esta entrada no coração da Serra envergonha e entristece?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Fim do Dia na Calçada da Pena


Fim de um dia de Agosto no fim de Agosto, em passeio na Calçada da Pena, espreitando a Tapada dos Bichos do lado de lá dos muros.



sábado, 28 de agosto de 2010

Da Rua das Murtas


Da rua das Murtas, do mesmo lugar da melhor vista do monte do Castelo, é também esta vista quase nocturna da Vila e do seu palácio.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Globo Avistado


Globo avistado à deriva sob a ponte de pedra da Feteira da Rainha, no Parque da Pena.

sábado, 21 de agosto de 2010

Mais Sobre o Incensal


A mata dos pitósporos não descansa. Uma nova imobiliária afixou o seu “Vende-se” e, desta vez, pode consultar-se facilmente o preço – 480 mil – e antecipar um pouco do seu destino provável:

Terreno situado em Sintra, na Quinta do Arrabalde, em plena Serra, com vista excepcional e desafogada em direcção à Vila de Sintra e ao mar e com muito arvoredo. Foi apresentado na Câmara um pedido de informação prévia para a construção de moradia com a área de implantação de 353 m2 e mais 90 m2 de anexos, com a área bruta de construção de 604 m2 mais os 90 m2 de anexos.

Entretanto, a mata tem emagrecido. A parte mais alta, talvez a que vai receber os 604m2, está cada vez mais despida. A princípio parecia que o objectivo desses cortes era apenas afastar toda a vegetação da casa vizinha, uma dessas novas moradias sintrenses desarborizadas que parecem quere fazer esquecer o local onde se erguem e os trabalhos das anteriores gerações de dendrófilos. Mas talvez se trate mesmo de abrir um espaço agradável ao betão armado.

Esperamos que se mantenha alguma coisa da mata inferior – ficaremos apenas entregues à qualidade dos novos proprietários, já que a gestão urbanística municipal não se tem destacado por proteger a arborização pública e privada da vila, ao contrario do compromisso que assumiu com a classificação patrimonial de Sintra.

domingo, 15 de agosto de 2010

Sol do Deserto Sobre o Mar de Sintra


Nunca por aqui tinha aparecido o mar de Sintra. Hoje aparece, embora disfarçado de marroquino. Foi num destes últimos dias de ar do deserto, um daqueles em que as poeiras encarnadas se juntaram a um céu de núvens quentes. O dia estava a acabar e estávamos no alto da Vigia...

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Colosso de Terras Secas



Os carvalhos deste blogue têm pendido para o alvarinho - Quercus robur, como os que dominam a Pena. Já este, que está perigosamente pendurado no Parque das Merendas, perto da estrada, parece-nos um cerquinho - Quercus faginea, versão de Inverno e versão de Verão. Um colosso de terras mais secas que decidiu viver em ares húmidos e se tem dado bem.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Faia para Contagem



A contagem das etiquetas deste blogue mostra-nos que as faias - sérias candidatas ao título "A Nossa Árvore Favorita - não estão suficientemente representadas. Por isso aqui estão duas imagens de sob a Fagus sylvatica que avermelha a sombra ao lado da Fonte dos Passarinhos (e agora já temos cinco etiquetas "Árvores - Faias"!).

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Faia sobre Cisne




A melhor das sombras que cai sobre o lago superior do Parque da Pena é a desta faia. O cisne residente aproximou-se com interesse do vulto que o espreitava debaixo da folhagem mas, à falta de tributo apetitoso, virou as costas. A admiração só por si aborrece-o.

domingo, 1 de agosto de 2010

Ar Atlântico Regressado


A Cruz Alta celebra o regresso do nevoeiro atlântico após alguns dias de penitência de ar do deserto e faz votos para que tenha sido a última deste ano de 2010.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Descubra as Diferenças (II)



E agora a parte de cima da Tapada do Inhaca, a caminho do ponto mais alto da Calçada da Pena: a vista de Inverno e vista de Verão destes áceres-que-se-fazem-passar-por-plátanos e destes carvalhos robur. Não sabemos se nos inquieta mais o contraste dos seus esqueletos iluminados contra o azul e o verde do princípio do ano, ou a selva sombria de uns meses mais tarde. Ou talvez seja do nosso estado de espírito de hoje e este seja afinal um cenário perfeito para um piquenique ingénuo e inocente em qualquer época do ano.

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Descubra as Diferenças (I)



Aqui está o mesmo fragmento da Tapada do Inhaca visto da Calçada da Pena, um pouco abaixo dos portões do Parque. Primeiro visto à luz crua de um dia do fim do Inverno, depois afogado em vida em pleno Verão. Descubra as diferenças e ganhe prémios!

sábado, 17 de julho de 2010

Vende-se Incensal, para Construção


Ainda a propósito do Pittosporum undulatum: há alguns meses havia uma placa a anunciar a venda de um terreno para construir, na esquina da Conde de Seisal com o Caminho da Alba Longa. Há muito tempo, alguém plantou pés de árvore-do-incenso ao longo dos caminhos que percorrem este terreno em encosta suave, talvez à espera de obter um recanto para passear entre arbustos aromáticos. Mas desde pelo menos os anos oitenta que conhecemos esta esquina abandonada, coberta por uma massa densa de pitósporos de dez ou mais metros de altura, contrastando com lotes construídos, domesticados e pouco arborizados em volta.

Esta pequena mata tinha – e ainda tem, mas não por muito tempo – o muro que a cerca derrocado. Estava e está ainda sujeita a ser trespassada por intrusos que podem despejar lixo furtivo ou deliciar-se na sombra das folhas onduladas que ali dominam, acompanhadas no Verão pelas de um ou outro ácer (dos que se fazem passar por plátanos). Aqui estava ela na Primavera que passou:



Com a placa “vende-se” já desaparecida, o sono de décadas do incensal foi há poucos dias interrompido por serras que se lançaram a por a selva em ordem, adelgaçando a mata e, provavelmente, preparando-a para um futuro mais urbanizado. Aqui está agora a terra do seu chão a ver-se pela primeira vez na nossa vida sintrense e os despojos dos cortes amontoando-se ao sol que aqui voltou a penetrar:


domingo, 11 de julho de 2010

A Propósito de Infestantes (II)


Começámos por confessar o prazer culpado que nos dão algumas acácias de Sintra. Em intensidade de culpa, logo após as acácias vêm os pitósporos, denominação desagradável que se presta bem a árvores virulentas e usurpadoras. Se quisermos ser menos severos podemos recorrer ao mais suave nome Pittosporum undulatum, ou melhor ainda, ao insinuante “árvore-do-incenso”. O abandono das matas ao longo da Estada da Pena foi fazendo com que, em muitos troços, estas folhas onduladas e lustrosas suplantassem todas as outras. Sem árvores-do-incenso pouco restaria das sombras desta estrada, que se tornaria assim noutro caminho através da estepe, como os que agora há mais acima, onde a luta contra as infestantes é mais aguerrida.

Um dos nossos momentos preferidos da Estrada da Pena, por exemplo, aquele da curva apertada e do muro alto que suporta a encosta, logo acima da entrada para a Azinhaga do Vale dos Anjos, não seria nada sem a infestação dos pitósporos ondulados do incenso:


Mas há outra loa a cantar às árvores-do-incenso: Nos primeiros dias mornos de Abril, quando o sol se põe, desce da Serra um cheiro forte que anuncia a primeira primavera a todos os que desembarcam em Sintra. Durante anos, achámos que era apenas o cheiro das boas noites sintrenses nessa época eufórica. Mas é mais que isso, é o cheiro açucarado irresistível destas infestantes que ameaçam devorar o nosso éden.


sábado, 10 de julho de 2010

De Baixo para Cima



Ou, para ser mais preciso, "Muro com Musgo e Outros Vegetais sob Tília, Visto de Baixo para Cima na Entrada da Tapada do Castelo dos Mouros, numa Manhã do Ano de Dois Mil e Dez, em Sintra"

sábado, 3 de julho de 2010

A Pena no Verão (IIII)


Quanto à descida da Cruz Alta: quem não conheça o Parque da Pena e seja tão distraído que nem sequer repare nos mapas que distribuem à entrada corre o risco de perder o caminho discreto que desce para poente. Estes são os seus marcos principais: Pouco abaixo do topo, uma mancha mais fragosa cheia de sombra e chão calcetado de musgo e raízes, que conduz a um dos miradouros selvagens do parque. Mais abaixo, um pórtico de penedos que separa a parte escarpada do caminho da sua parte mais suave.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

A Pena no Verão (III)




Eis então a reportagem da subida à Cruz Alta pela estrada comum (que foi recentemente desalcatroada e calcetada com cubos de granito – desculpem-nos se deixamos das imagens da calçada em si para outro dia). Os momentos perfeitos estão a meio do caminho, entre a névoa cerrada e o céu aberto, nos locais em que o nevoeiro cede ao sol.



terça-feira, 29 de junho de 2010

A Pena no Verão (II)


Sintra e Pena envoltas em nevoeiro são um tema tão fascinante que podíamos passar o resto da vida deste blogue à volta das suas imagens. Desde as manhãs mágicas de há um ano que esperávamos o momento em que pudéssemos assistir na Cruz Alta a uma manhã de serra isolada no meio das nuvens. Os últimos dias – e o de hoje até esta hora incluído – têm sido de nevoeiro persistente. Ontem enchemo-nos de tal maneira de fotografias de subidas, picos e descidas pela névoa, que algumas delas terão de acabar aqui.

Temos também o testemunho destes muito toscos 41 segundos panorâmicos sobre o mar branco, desde o Guincho para norte, pelo Palácio da Pena diluído, até Mafra:

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