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sábado, 28 de agosto de 2010

Da Rua das Murtas


Da rua das Murtas, do mesmo lugar da melhor vista do monte do Castelo, é também esta vista quase nocturna da Vila e do seu palácio.

domingo, 6 de junho de 2010

Um Chá na Casa dos Penedos


Há quase 90 anos que o casarão rosado desenhado por Raul Lino marca posição nas vistas da Vila Velha, mas para a maior parte das pessoas era apenas um edifício imponente pendurado na encosta ou mais uma casa fechada na rua Marechal Saldanha. Agora, há uma porta aberta todos os dias e um anjo de pedra que recebe os visitantes e os dirige para a esquerda, até uma exposição de fotografia sintrense, ou para a direita, até às mesas onde se servem lanches e refeições ligeiras, espalhadas por uma sala de grandes janelões e por um terraço claro. E em vez de apenas casarão saliente na vista da encosta, a Casa dos Penedos tornou-se também um novo miradouro deslumbrante sobre Sintra.



segunda-feira, 1 de março de 2010

«P» de Podar?


Os plátanos da Rua Consiglieri Pedroso, entre o Turismo e o Hotel Lawrence’s, estão entre as árvores marcantes do centro da Vila de Sintra. São 7, embora de um deles apenas reste um tronco moribundo que já devia ter sido substituído por um novo exemplar. Nos restantes 6 apareceu, pintada com tinta amarela, a letra P. Tememos estar na véspera de mais um episódio de destruição a que por cá se chama poda e pedimos por escrito à CMS informação sobre o assunto. Aguardamos uma resposta.

sábado, 10 de outubro de 2009

O Parque de Estacionamento, outrora conhecido por Largo da Misericórdia

Largo da Misericórdia (vista parcial)

A circulação e o estacionamento é, indubitavelmente, o problema mais grave de Sintra e também aquele que exige um projecto global corajoso, ancorado em estudos sólidos e em soluções arrojadas, e, necessariamente, numa vontade política forte. O novo mandato autárquico deveria ser a oportunidade de iniciar este processo pondo fim à atitude prevalecente nestes últimos anos: de tanto fingir que não se vê o problema conseguir acreditar que ele não existe.

No centro da Vila a necessidade de reordenamento e requalificação dos espaços públicos é notória. No entanto, para que isso aconteça é necessário que o todo o espaço mais ou menos livre deixe de ser, passiva ou activamente, destinado a estacionamento. Depois de uma entidade externa ter imposto o fim do estacionamento no Terreiro Rainha D. Amélia, defronte do Palácio Nacional de Sintra, quando é que a Câmara se decide, por exemplo, a transformar o Largo da Misericórdia (logo abaixo daquele) numa efectiva praça?

De facto, hoje, Largo da Misericórdia não é senão o nome de um parque de estacionamento público (por outras palavras, um terreno público alugado ao minuto para fins privados), onde um sitiado pelourinho não só constitui um estorvo para os automobilistas como, ao ocupar de forma permanente dois potenciais lugares, conduz a uma substancial perda de receitas privadas e municipais (ver a decisão da Câmara e da Assembleia Municipal de privatizar a exploração do estacionamento pago no concelho). E sempre num estado de duvidosa apresentação e higiene.


quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Ruínas nada românticas



Como todos sabemos, há ruínas e ruínas. As que vemos ao chegar ao centro da Vila Velha – os edifícios do Café Paris e o anexo à Torre do Relógio e à antiga cadeia (hoje Correios) – nada têm de romântico. Fruto do abandono e da incúria, a que apenas escapam os andares térreos, e ameaçando derrocada, sabemos que o seu estado é, em primeiro lugar, da responsabilidade dos seus proprietários. Sabemos também que, infelizmente, estes edifícios não são caso único em Sintra. Mas, dada a sua localização e os instrumentos legais existentes, ocorre-nos uma pergunta: onde pára a Câmara Municipal? Tão activa nos petits riens com que enche a Volta do Duche, porque é que ao longo de todos estes anos não interveio, quando o poderia e deveria ter feito?


quarta-feira, 15 de julho de 2009

Vista de uma só vez


A partir da área cortada, junto à Estada da Pena, poucos metros antes do cruzamento para os Capuchos, vê-se agora a Vila e o Castelo de uma só vez. O corte abominamos, a vista é bem-vinda, o tom rosado é do fim do dia.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Para os madrugadores de verão



Porque ainda não suavizámos a nossa ignorância meteorológica e porque as nossas rotinas não nos têm levado à Serra nas auroras de verão, parecia-nos que o mar de nuvens era coisa de cem em cem manhãs. Mas se na manhã quente de ontem tivéssemos saído de casa meia hora mais cedo, teríamos deparado com o mesmo espectáculo, e começamos a suspeitar de que se trata de um tesouro oferecido com alguma frequência aos madrugadores desta época do ano. Pelas sete e meia, no entanto, era tarde demais: o mar tinha-se quase dissipado no planalto do norte. Pelo contrário, do lado ocidental, onde há uns dias a Vila Velha permanecia invisível, o nível mais baixo permitia-lhe agora emergir nas franjas de uma névoa que se estendia até ao mar.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

A amputação anual de árvores

Sintra, Igreja de Santa Maria

Todos os anos, entre o final do Inverno e o início da Primavera, nas ruas das nossas aldeias, vilas e cidades, funcionários municipais ou empresas privadas pagas com dinheiros públicos – como aconteceu este ano em Sintra – procedem à amputação das árvores. Muitos cidadãos fazem o mesmo nas suas propriedades. A isto chamam "poda", embora o processo não envolva árvores de fruto, nem seja necessário ao seu natural desenvolvimento. Muito pelo contrário.

Sintra, Igreja de Santa Maria

Qual a justificação científica, a ponderosa necessidade pública ou a superior razão estética? Não sabemos. Ano após ano, ficamos à espera que as entidades públicas responsáveis por estas campanhas se dignem a justificar a sua acção. Um dos argumentos mais populares – qual verdade cientificamente comprovada – é o das alergias que as nefandas árvores (não a poluição) provocam nos humanos. O problema é que, em rigor, a esmagadora maioria dos referidos humanos não faz a mais pequena ideia do porquê das suas alergias. Simplesmente, acha que… e, pelos vistos, câmaras municipais e juntas de freguesia também acham que… Curioso é que este é um problema de saúde pública intrinsecamente português. Noutras cidades europeias, por exemplo, tais rituais anuais são desconhecidos. O que nos conduz à hipótese dos portugueses, num alarmante défice de adaptação ao meio ambiente, nunca se terem habituado a conviver com árvores.

Sintra, bairro da Portela de Sintra

No caso de Sintra, mas não só, a proximidade da grande mancha florestal da serra e a existência de um fenómeno atmosférico chamado vento, torna ainda mais patética esta crença na resolução do pressuposto problema pelo corte das árvores que se encontram à porta de casa das vítimas. Totalmente compreensiva com a situação, partilhando mesmo da comum ignorância, os serviços da Câmara Municipal chegam ao ponto de o fazer sob pedido: basta observar como, numa mesma rua, certas árvores frente a certos edifícios são objecto destes cortes enquanto outras, mais à frente ou atrás, permanecem incólumes – por agora. Acima de tudo, estes massivos e dispendiosos processos de amputação – dos quais as principais vítimas são, por norma, os plátanos – enraízam na nossa frágil cultura cívica, científica e ambiental e, por isso mesmo, são um outro espelho de nós próprios. Saídos recentemente da ruralidade e ainda mal instalados na nossa recente urbanidade, não gostamos de árvores ou, pelo menos, apenas as toleramos desde que anualmente reduzidas a cotos ou, na melhor das hipóteses, a meia dúzia de ramos decepados.

Sintra, centro da Vila

O resultado não é apenas estético ou funcional: árvores que não se parecem com árvores mas com arbustos; árvores deformadas e raquíticas; árvores que não dão sombra sequer. É sanitário e cívico: árvores sujeitas a um processo de contínuo enfraquecimento, muito mais vulneráveis a doenças e que, por isso mesmo, morrem precocemente. Nessa altura, dando o pretexto para a única medida possível que deixa a consciência de todos sossegada: abater e, de preferência, não replantar. Afinal talvez seja esta a verdadeira razão pela qual, em Portugal, as árvores são anualmente sujeitas a isto. O que nos faz voltar à afirmação já feita: não gostamos de árvores e porque não gostamos de árvores preferimos passeios, ruas, avenidas, bairros e cidades totalmente despojadas delas. Com a vantagem de podermos estacionar os nossos automóveis nos lugares que elas antes ocupavam. Sonhamos, por isso, com um país atapetado de cimento.